Guia
Seguro, saúde e o que levar na mala
O seguro que o visto exige, o que o cartão de crédito não cobre, e a mala da primeira semana.
Mesmo conteúdo, para imprimir ou ler offline.

Para visto nacional, seguro não é “se der tempo”. É documento do consulado, no mesmo nível de antecedentes.

Dois seguros diferentes (não misture)
O número 30.000 € vale para turismo / Schengen. Não é o teto do visto de morar. Confundir os dois é o erro que devolve o pedido e a taxa.
| Situação | O que o governo pede | O que não passa |
|---|---|---|
| Turismo / até 90 dias no espaço Schengen | Seguro médico de viagem: urgência, hospital de emergência e repatriação, cobertura mínima de 30.000 €, válido em todo o espaço Schengen e em todo o período da estadia | Cartãozinho do banco sem apólice; seguro que só cobre o primeiro país; apólice que termina no meio da viagem |
| Visto nacional (estudar, nômade, não lucrativo, trabalho) | Seguro de doença público ou privado, com seguradora autorizada a operar na Espanha, cobrindo os mesmos riscos do sistema público (SNS, Sistema Nacional de Salud) | Seguro-viagem de 30.000 €, “pacote viagem” do cartão, plano brasileiro sem registro espanhol, apólice com carência, copago ou teto |
Turismo / Schengen. Brasileiro não precisa de visto de turismo. O controle de fronteira (abre em nova aba) (AENA, a empresa dos aeroportos) ainda pode pedir comprovante de seguro, volta e meios. A folha de vistos Schengen do consulado de São Paulo (abre em nova aba) descreve o produto: repatriação por motivo médico ou morte, assistência de emergência e hospital de emergência, mínimo 30.000 € (ou equivalente), em todo o espaço Schengen, por toda a estadia. Se o visto Schengen for de entradas múltiplas, o seguro cobre a primeira viagem; o viajante se compromete a contratar de novo nas seguintes.
Visto nacional. Não serve o seguro-viagem de 30.000 €. A folha de visto de estudos em São Paulo (abre em nova aba) e a de residência não lucrativa (abre em nova aba) pedem a mesma fórmula: certificado de seguro de doença público ou privado, contratado com seguradora autorizada a operar na Espanha, cobrindo todos os riscos do sistema público espanhol. Original e cópia. Caminhos de visto: visto e residência.
A redação operacional de São Paulo está no PDF de requisitos de estudos (abre em nova aba): o seguro não pode ser um seguro viagem; tem de ser médico sem carências, sem coparticipação de pagamento e sem limite de cobertura; original e fotocópia A4; cobertura contínua desde o dia do voo até o regresso ao Brasil. (A frase seguinte do PDF ainda usa “seguro de viagem” para falar das datas — o item 7 já deixou claro que o produto aceito é o médico.)
A seção consular em Brasília (abre em nova aba) escreve o mesmo em outras palavras: sem copagamento e sem teto, 100% das despesas médicas, hospitalares e extra-hospitalares; o seguro de viagem não será aceito. Cita, só como referência e sem exclusividade, companhias espanholas. Confira o checklist do seu consulado (São Paulo, Rio, Brasília e os demais cobrem estados diferentes) na lista da embaixada (abre em nova aba).
A Direção-Geral de Gestão Migratória (abre em nova aba) (critérios de estada por estudos, RD 1155/2024) pede prestações semelhantes à carteira básica do SNS na Lei 16/2003 (abre em nova aba), sem copago, reembolso nem carência. Se a apólice tiver teto, esse critério diz que o teto não pode ser inferior a 30.000 € — sem prejuízo da análise caso a caso. O consulado de São Paulo é mais estrito (“sem limite”). Protocolar em São Paulo com teto de 30.000 € é o atalho que o PDF rejeita.
Como saber se a seguradora vale (DGSFP, passo a passo)
A Direção-Geral de Seguros e Fundos de Pensões (DGSFP, Dirección General de Seguros y Fondos de Pensiones) publica o registro de seguradoras (abre em nova aba). O PDF de requisitos de estudos em São Paulo (abre em nova aba) manda buscar o nome no campo Denominación → Que Contenga. Se a empresa não aparecer, o PDF não entra no consulado. Marca famosa de “assistência viagem” brasileira quase nunca está nesse registro.
Faça a busca você, não confie só no corretor:
- Abra rrpp.dgsfp.mineco.es (abre em nova aba). É o registro administrativo, em espanhol. Não precisa de login
- No campo Denominación, escolha o operador Que contenga (“que contenha”). Não use o nome fantasia do produto nem o corretor brasileiro: use a razão social da seguradora, como está na primeira página da apólice
- Aperte buscar. Clique no nome que aparecer para abrir a ficha. Confira se a entidade está inscrita / autorizada a operar, não em liquidação, baixa ou revogação de licença
- O nome na apólice tem de ser o mesmo da ficha. “Operado por”, “em parceria com” ou um CNPJ brasileiro no cabeçalho não substitui a denominação espanhola
- Abra também a lista de sujeitos não autorizados (abre em nova aba). Se o nome estiver lá, o contrato é nulo
Estar no registro é o filtro mínimo, não o suficiente. Peça a apólice completa em A4 (original + cópia) e leia o certificado, não o comercial:
- Período contínuo cobrindo a estadia (em estudos em São Paulo: do voo ao regresso)
- Frase de equivalência ao sistema público / SNS, ou “sin copago / sin carencia / sin límite”
- Urgência, internamento e, quando o visto pedir, repatriação
- Nome da seguradora igual ao do registro DGSFP (não o corretor brasileiro)
Cartão de crédito, “pacote viagem” do banco e seguro que só vale 30 dias não passam no visto nacional. Familiar acompanhante de estudante, no PDF de São Paulo, usa os mesmos critérios do item 7.
Quanto custa, em ordem de grandeza
Não há preço oficial nem marca “do consulado”. A folha pede o tipo de produto (sem copago, sem carência, sem teto / equivalente ao SNS, seguradora autorizada na Espanha) — não uma companhia. O valor muda com idade, código postal, se paga o ano à vista e se inclui repatriação.
Na prática de 2026, pólizas de saúde para visto (não o seguro-viagem de 30.000 €) para gente jovem / estudante costumam cair na casa de algumas dezenas de euros por mês — com frequência algo como 40–80 €/mês, o que no ano inteiro são centenas de euros. Residência não lucrativa, idade mais alta ou quadro médico mais largo sobe: não é raro passar de 80–150 €/mês. Peça orçamento com a data de nascimento e a data do voo. O consulado quer cobertura desde o embarque; muita gente paga o primeiro ano de uma vez porque o certificado tem de cobrir o período do visto.
Desconfie de “a partir de 15 €” se o PDF do seu posto pede sin copago e sin límite: o barato costuma ser viagem, não saúde. Não use esta faixa como teto do visto — use para orçar antes de protocolar.
O que imprimir (e o que não basta)
O PDF de São Paulo (abre em nova aba) pede original e fotocópia em A4. Não entregue só o cartão da carteira nem um print do aplicativo.
Imprima e leve na pasta:
- Certificado (a carta curta) com nome, NIF/passaporte, datas de vigência, a frase sin copago / sin carencia / sin límite (ou equivalência ao SNS) e repatriação se o visto pedir
- Apólice ou condições particulares — o documento longo, não o folder comercial
- Fotocópia A4 de tudo o que for original. Ordem: apostila e tradução, se o posto pedir, vêm depois do original; no seguro, original + cópia simples
- PDF offline no telemóvel (e na nuvem). O Wi-Fi do aeroporto falha na hora do PDF
Não precisa protocolar o print da busca DGSFP, mas faça a busca antes de pagar. Se o nome da apólice não bater com o registro, troque o produto, não o envelope.
Atestado médico (quando o visto passa de 180 dias)
Não é check-up genérico nem “atestado de sanidade” de academia. O texto que o consulado quer é: você não padece de doença com impacto grave na saúde pública, segundo o Regulamento Sanitário Internacional de 2005.
Estudos acima de 180 dias. O PDF de São Paulo (abre em nova aba) pede o modelo anexo, emitido por médico habilitado com CRM legível, apostila de Haia em cartório, original e cópia A4. Ordem: apostilar o original e só depois tirar cópia simples de todo o documento já apostilado. Estudante com pedido de até 180 dias está isento. O mesmo corte vale para antecedentes da Polícia Federal.
Residência não lucrativa, trabalho e outras residências longas. A folha de não lucrativa em São Paulo (abre em nova aba) pede o atestado sempre (não há isenção de 180 dias nesse visto): original e cópia, apostilado, com a mesma frase do RSI 2005.
Como preencher. Faça no Brasil, com clínico que tenha firma reconhecida no cartório. A folha de estudos em Brasília (abre em nova aba) detalha: médico brasileiro licenciado, CRM, assinatura reconhecida; depois autenticar, apostilar e traduzir para espanhol, a menos que use o modelo bilíngue do próprio consulado. O modelo do Rio de Janeiro (abre em nova aba) é bilíngue, traz a frase do RSI 2005 e imprime válido durante 90 dias. Não invente prazo: baixe o modelo do consulado que vai atender você no dia em que for ao médico.
Cada acompanhante (cônjuge, filho) leva o próprio atestado. Leve o passaporte na consulta: o modelo pede o número. Apostila e pasta: guia de documentos. Lista do cartório: CNJ — Apostila da Haia (abre em nova aba).
Saúde antes do voo
Faça um check-up e renove as receitas. Leve o remédio de uso contínuo na mala de mão, com receita e bula. Separe uma reserva extra para os primeiros meses: o equivalente espanhol do mesmo medicamento pode pedir outra receita. Farmácia de plantão na Espanha tem cruz vermelha 24 h; o caminho depois de pousar está em saúde nos primeiros meses.

Consulado e aeroporto: o que cada um pede
São filas diferentes. O consulado analisa o visto. A polícia de fronteira analisa a entrada. Não misture os envelopes.
No consulado (visto nacional). Vale o produto da tabela de cima: seguro de doença, seguradora no DGSFP (abre em nova aba), sem copago / sem carência / sem teto (São Paulo é explícito), original + cópia A4, datas do voo ao regresso. O funcionário compara o nome com o registro e lê o certificado. Sem isso o pedido nem entra. Turismo Schengen, se um dia precisar de visto, é o produto de 30.000 € com repatriação — outro papel.
No aeroporto, com visto nacional já colado. O controle de fronteira (abre em nova aba) (AENA) e o Interior (abre em nova aba) olham passaporte e visto. Ainda podem perguntar motivo da viagem, onde vai ficar e meios. A apólice completa na pasta evita discussão se pedirem “condiciones de la estancia”. Não é o mesmo checklist do consulado: não vão revalidar o DGSFP no balcão. Mesmo assim, não despache o original.
No aeroporto, como turista (brasileiro sem visto). Brasileiro não precisa de visto de turismo. A polícia pode exigir, se pedir:
- Passaporte em vigor (o Interior pede validade de três meses após a data prevista de saída)
- Justificativa do motivo e das condições da estadia (reserva, carta-convite oficial, matrícula, etc.)
- Meios econômicos: a fórmula do Interior é 10 % do salário mínimo interprofissional bruto por pessoa e dia, com um mínimo de 90 % do SMI por pessoa, independentemente da duração. A folha publica o valor em euro vigente (atualiza com o SMI). Bilhete de volta nominativo, intransferível e fechado
- Não constar em proibição de entrada nem risco de saúde pública
Seguro de viagem de 30.000 € não está na lista curta da AENA como documento obrigatório para quem está isento de visto. Ainda assim, o produto Schengen (repatriação + urgência, todo o espaço Schengen, toda a estadia) é o que o consulado de São Paulo (abre em nova aba) descreve — e é o que você mostra se perguntarem como vai pagar um hospital. Cartão de crédito sem apólice não substitui.
Não discuta com o policial “eu já entreguei no consulado”. Mostre o papel. Fila da fronteira não é recurso.
Mala documental (bagagem de mão)
Originais não vão no porão. Se a mala despachada atrasar, o consulado já ficou no Brasil e a polícia de fronteira está agora. O que você precisa no desembarque está no assento da frente.
Monte duas pastas iguais (nuvem offline + envelope físico). Nomeie os PDFs com data (2026-seguro-apolice.pdf), não scan(3).pdf. O checklist antes de viajar fecha apostila, conta e eSIM. O guia de documentos detalha foto 32 × 26 mm, apostila e tradução.
| Item | Porquê na cabine | Como levar |
|---|---|---|
| Passaporte + cópia da folha de dados e de todas as páginas carimbadas | Identidade e visto. Cópia se o original ficar retido uns minutos | Original no corpo; cópia no envelope |
| Visto colado ou, em turismo, passagem de volta fechada | O Interior pede bilhete nominativo de saída | PDF da companhia + impresso |
| Apólice completa + certificado + fotocópia A4 | Consulado já usou; fronteira e hospital ainda podem pedir | Original + cópia; PDF offline |
| Atestado e antecedentes apostilados, se o visto pediu | Imigração / TIE na Espanha ainda olham o original | Original + cópia; não dobre a apostila |
| Reserva de hotel, carta-convite oficial ou contrato dos primeiros dias | “Condiciones de la estancia” | Confirmação com nome, datas e morada |
| Meios econômicos | Fórmula do Interior (percentual do SMI). Cartão + extrato; a folha não aceita carta do banco nem extrato só da internet | Extrato recente impresso + cartão; um pouco de euro em espécie |
| Chip virtual já instalado e adaptador tipo F | Sem rede você não abre PDF nem chama um carro | No celular; adaptador na cabine. Guia de chip |
| Remédio contínuo + receita + bula | Até 3 meses, regra da AEMPS (abre em nova aba) | Mala de mão; controlado pede autorização prévia |
Não dependa do Wi-Fi do aeroporto para abrir o PDF do seguro.
Depois de pousar
Em emergência, ligue 112. Urgência médica não emergencial em várias regiões também atende pelo 061. O posto de saúde só entra depois do cadastro na prefeitura (empadronamiento) e da alta na previdência, conforme o seu status. Enquanto o cartão do sistema público não existe, o seguro do visto é o plano A. O caminho continua em saúde nos primeiros meses e primeiros 30 dias.
Fontes
- Serviços consulares — vistos (abre em nova aba)
- Consulados da Espanha no Brasil (abre em nova aba)
- Vistos Schengen — São Paulo (abre em nova aba)
- Visto de estudos — São Paulo (abre em nova aba)
- PDF de requisitos de estudos — São Paulo (abre em nova aba)
- Visto de estudos — Brasília (abre em nova aba)
- Residência não lucrativa — São Paulo (abre em nova aba)
- Modelo de atestado — Rio de Janeiro (abre em nova aba)
- Critérios de gestão — estada por estudos (Migraciones) (abre em nova aba)
- Lei 16/2003 — SNS (abre em nova aba)
- Registro de seguradoras (DGSFP) (abre em nova aba)
- Sujeitos não autorizados (DGSFP) (abre em nova aba)
- Entrada na Espanha — AENA (abre em nova aba)
- Entrada: requisitos e condições (Interior) (abre em nova aba)
- CNJ — Apostila da Haia (abre em nova aba)
- Emergência em toda a Espanha: 112
Entre no grupo do WhatsApp
Dúvidas reais, relatos atualizados e gente no mesmo caminho que você.