Guia
Visto e residência. O que decidir antes de sair do Brasil
Nômade digital, parentesco, estudos, trabalho e não lucrativo. O que cada um permite, o que trava, e onde confirmar no governo.
Mesmo conteúdo, para imprimir ou ler offline.

Brasileiro não precisa de visto de turismo para entrar no espaço Schengen (os países da Europa que compartilham fronteira). Precisa de visto nacional (tipo D, de longa duração) se for morar, trabalhar, estudar por mais de 90 dias ou se o consulado exigir o trâmite antes do embarque. Comprar passagem sem esse filtro é o erro mais caro desta etapa.
Assessoria e “visto rápido”: o que é serviço e o que é golpe
Há escritórios sérios (advogado com número de colegiado, fatura com NIF espanhol, contrato). Há também Instagram e WhatsApp vendendo “visto aprovado em 15 dias”, “emprego garantido + residência” ou “nômade sem comprovante de renda”. O consulado não tem fila VIP paga por terceiro. Ninguém fora do governo pode “liberar” autorização.
Peça: nome completo do profissional, número de colegiado ou NIF da empresa, o que entra na taxa (e o que é taxa do Estado, à parte) e qual folha .gob.es eles vão protocolar. Se a resposta for só um PDF genérico e um Pix, não é assessoria.

Turista: 90 dias, e o que isso não resolve
Com passaporte brasileiro válido você pode permanecer até 90 dias em qualquer período de 180 no espaço Schengen, se a imigração autorizar a entrada. Leve passaporte, volta ou fundos, hospedagem e, se pedirem, motivo da viagem. A AENA (abre em nova aba) (empresa que opera os aeroportos espanhóis) resume o que o controle de fronteira pode exigir.
Posso ir de turista e mudar?
Não. Turismo é estância de curta duração (90 dias em cada 180 no espaço Schengen). Não é residência. O carimbo de entrada não “vira” autorização. A maior parte das vias iniciais — não lucrativa, trabalho por conta alheia, conta própria — pede-se no consulado, ainda no Brasil. Chegar com passagem de ida e um PDF de contrato não é um trâmite.
O Ministério lista o que existe se você não tem autorização para residir (abre em nova aba). Cada folha diz onde protocolar. Hipóteses em que o pedido pode nascer na Espanha, se você já estiver em situação legal (visto nacional, autorização em vigor, ou o caso concreto da folha — não “vou estourar os 90 dias”):
- Nômade: autorização na UGE / ONE se já estiver legal
- Estudos superiores: formulário EX-00 na Oficina de Extranjería, com antecedência
- Familiar de espanhol (EX-24) ou de cidadão da União Europeia (EX-19): a própria folha diz quando protocolar na Espanha
Isso não é “entro de turista e regularizo depois”. É protocolar o impresso certo e esperar a decisão. Silêncio administrativo, nessas vias, costuma ser indeferimento. Circunstâncias excepcionais (arraigo e afins) aparecem na mesma árvore do Ministério: são outra figura, com requisitos próprios — não um atalho de 90 dias nem plano B de visto.
Qual caminho é o seu
Escreva o motivo real em uma frase e só então abra a folha. Os caminhos não se misturam.
Trabalho remoto para empresa de fora. Nômade digital. Começa no consulado (visto) ou na UGE, se você já estiver legal na Espanha.
Cônjuge, filhos ou pais de espanhol. Residência de familiar de espanhol, formulário EX-24. Consulado e/ou imigração, conforme a folha 18.
Familiar de cidadão da União Europeia (não espanhol) que vive na Espanha. Cartão de familiar, EX-19, em geral na Espanha, em 3 meses da entrada.
Familiar de estrangeiro já residente. Reagrupação em regime geral: o residente pede na Espanha (EX-02); você pede o visto no consulado depois.
Universidade ou formação longa. Autorização de estudos no consulado, com carta de admissão. Em alguns casos de estudos superiores, EX-00 já em situação regular na Espanha.
Contrato com empresa espanhola. Residência e trabalho por conta alheia: a empresa inicia (EX-03); você pede o visto.
Empreender / conta própria. Trabalho por conta própria no consulado (EX-07), com plano e meios.
Viver de renda sem trabalhar. Residência não lucrativa no consulado (EX-01). Turismo não substitui essa via.
Há cinco postos no Brasil: seção consular da embaixada em Brasília (abre em nova aba) e consulados gerais em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador. A demarcação de São Paulo (abre em nova aba) cobre São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A do Rio de Janeiro (abre em nova aba) cobre Rio, Minas Gerais e Espírito Santo. Os demais estados estão nas folhas de Brasília, Porto Alegre e Salvador. Se você protocolar no consulado errado, o pedido é devolvido e o prazo recomeça.
No consulado: o que levar e como acompanhar
O visto nacional pede-se pessoalmente (ou por representante quando a ficha permitir) no consulado da sua demarcação. Cada pessoa da família preenche um impresso de visto nacional — o modelo está no site do seu consulado (abre em nova aba), na ficha do visto concreto.
Leve o que a ficha do ano listar: foto tipo carné com fundo claro; passaporte com duas páginas em branco e a validade mínima daquela via (nômade e não lucrativa, em São Paulo: pelo menos 1 ano; vários vistos de trabalho: 4 meses); prova de que você mora na demarcação; apostila e tradução quando o documento for brasileiro. A pasta-base está no guia de documentos essenciais. O seguro do visto nacional não é o de turismo: veja seguro saúde.
Depois do protocolo, o resguardo traz um código. Acompanhe em sutramiteconsular.maec.es (abre em nova aba). Recolha o visto no prazo da notificação: em vários vistos de residência e trabalho, 1 mês; no visto de estudos em São Paulo (abre em nova aba), 2 meses. Sem recolha, arquivam o expediente.
A taxa de visto em São Paulo aparece como 80 € nas fichas de estudos, não lucrativa e trabalho. Confirme o valor na tabela do seu posto no dia do agendamento. Brasileiro não paga “gestor de horário”: a cita é no site do consulado.
Nômade digital (teletrabajo de carácter internacional)
O que é: residir na Espanha trabalhando à distância para empresa ou clientes de fora. Para quem já fatura assim. Não é turismo, não é emprego local e não é transferência intraempresarial.
Regulamentado na Lei 14/2013 (abre em nova aba) (art. 74 bis), para quem trabalha à distância para empresa de fora da Espanha, pela internet. Quem fatura como autónomo (conta própria) também entra, com teto de 20% da atividade para clientes espanhóis. A ficha do consulado em São Paulo (abre em nova aba) deixa isso explícito: com carteira, só empresa de fora; como autónomo, o 20% é o teto.
Requisitos que realmente pesam (lista oficial na Plataforma ONE (abre em nova aba) — o portal único de tramitação — e na UGE (abre em nova aba), a Unidade de Grandes Empresas):
- Relação de trabalho de pelo menos 3 meses e empresa com atividade real há pelo menos 1 ano (certidão do registro mercantil ou equivalente no Brasil)
- Carta da empresa autorizando o remoto desde a Espanha (ou contrato de prestação com as mesmas condições)
- Diploma universitário, formação profissional ou escola de negócios ou 3 anos de experiência no tipo de função
- Antecedentes penais dos últimos 2 anos + declaração responsável dos 5 anos, apostilados
- Seguro de doença com seguradora autorizada a operar na Espanha (abre em nova aba) ou cobertura da previdência espanhola (Segurança Social). Se existir convênio e o país emitir certificado de legislação aplicável a teletrabalho, esse papel pode substituir o seguro — a ONE avisa que nem todo país emite
- Alta ou pedido de inscrição na Segurança Social: empresa estrangeira + trabalhador, se for carteira; RETA (abre em nova aba) (regime de autónomo) se for conta própria
- Renda: 200% do salário mínimo oficial (SMI) para o titular, +75% no primeiro familiar e +25% em cada seguinte. O SMI de 2026 está no Real Decreto 126/2026 (abre em nova aba): 1.221 €/mês em 14 pagas (17.094 €/ano). 200% disso dá 34.188 €/ano, cerca de 2.849 €/mês se você dividir em 12 meses. Confirme o número vigente na UGE, não em blog.
Peça o NIE (Número de Identidad de Extranjero, o número fiscal de estrangeiro) junto com o visto. A ONE e o consulado de São Paulo tratam isso como passo paralelo, não como trâmite “depois de chegar”.
Pode: residir e trabalhar em remoto na Espanha; trazer cônjuge ou união estável, filhos a cargo e ascendentes a cargo, se cumprir o extra de renda; circular pelos países do espaço Schengen nas mesmas regras de quem já tem residência.
Não pode: usar isso como “visto de freelancer local”. Se a atividade principal for para cliente espanhol, o caminho é outro (conta própria / autónomo). Tampouco serve quando o caso é transferência intraempresarial — o consulado recusa o nômade se o perfil for o de traslado.
Onde pede: fora da Espanha, no consulado (visto de teletrabajo (abre em nova aba)). São Paulo indica prazo legal de 10 dias (pode alongar se pedirem documento extra) e recolha em 1 mês. O visto costuma valer 1 ano e, nessa via, o próprio visto já prova a residência: a TIE (Tarjeta de Identidad de Extranjero, o cartão físico) não é obrigatória durante a vigência, embora você possa pedi-la.
Já em situação legal na Espanha, autorização de residência de até 3 anos na UGE / ONE (abre em nova aba). Quem entrou com o visto consular e quer continuar pede essa autorização nos 60 dias naturais antes do vencimento.
Parentesco: três regimes, não um
O que é: residir porque há um vínculo familiar reconhecido. Para cônjuge, união, filhos ou pais — conforme o regime. Não é “casamos no cartório e o visto sai sozinho”. Turismo também não substitui o cartão.
“Vou no visto de familiar” é frase vaga. O modelo, o prazo e o direito de trabalhar mudam conforme quem é o parente na Espanha.

1. Familiar de cidadão da União Europeia (não espanhol)
Cartão de residência de familiar de cidadão da União. Folha oficial: resumo 62 do Ministério (abre em nova aba). Formulário EX-19 (abre em nova aba) (o próprio impresso avisa: o familiar europeu não é espanhol).
O familiar europeu precisa estar na Espanha trabalhando, estudando ou com renda + seguro. Você prova o vínculo (certidão apostilada e, se não estiver em espanhol/português aceito, traduzida). Pede pessoalmente, nos 3 meses após entrar, na Oficina de Extranjería da província ou, na falta dela, na comissaria. O resguardo já serve para provar estadia legal até sair o cartão. A polícia descreve o que levar na ficha do cartão de familiar (abre em nova aba): passaporte, vínculo apostilado, DNI ou certificado de registro do europeu, e, se for o caso, prova de estar a cargo.
A expedição tem prazo de 3 meses. O cartão inicial costuma ser de 5 anos (ou o tempo de residência do europeu, se for menor) e permite trabalhar. A taxa dessa via equivale à do DNI espanhol — não é a 790-052 da residência de regime geral.
2. Familiar de espanhol
Depois da reforma da imigração (Real Decreto 1155/2024 (abre em nova aba), arts. 93 a 98), familiar de espanhol não usa o EX-19. O caminho oficial é a autorização de residência temporal de familiares de pessoas com nacionalidade espanhola (abre em nova aba) (folha 18, atualizada em abril de 2026). Formulário EX-24 (abre em nova aba). O Ministério marca o procedimento como gratuito.
Quem entra, se conviver com o espanhol: cônjuge maior de 18 anos; união registrada; pareja estable com convivência análoga à conjugal de pelo menos 12 meses (dispensa o prazo se houver filho em comum); filhos menores de 26 anos, ou mais velhos a cargo; ascendentes de primeiro grau a cargo ou por razão humanitária; pai/mãe/tutor de menor espanhol a cargo; um familiar até segundo grau que cuide de espanhol com dependência reconhecida; filhos de pai ou mãe espanhóis de origem.
Quem protocola (folha 18):
- O espanhol, na Oficina de Extranjería da sua província, se você ainda estiver no Brasil. Concedida, você pede o visto no consulado em 1 mês.
- Você, no consulado, se os dois ainda estiverem fora da Espanha.
- Qualquer um dos dois, na Oficina de Extranjería, se os dois já estiverem na Espanha — nos casos de cônjuge, união, pareja estable, progenitor de menor espanhol, cuidador ou filho de espanhol de origem.
Dá para protocolar pela sede eletrônica (Mercurio), no portal do Estado (abre em nova aba). Prazo de decisão: 2 meses. Silêncio = indeferimento. Leve passaporte completo, DNI ou passaporte do espanhol, vínculo apostilado, antecedentes dos últimos 5 anos se o pedido for de fora da Espanha, e a declaração de que não mora outro cônjuge/pareja com o espanhol.
Se a concessão sair com você já na Espanha, a autorização vale 5 anos (ou o tempo de residência do espanhol, se for menor). Se você estiver fora, o efeito começa na data da entrada. O protocolo já habilita cônjuge, pareja e filhos a permanecer e a trabalhar por conta alheia ou própria enquanto o expediente corre — condicionado à concessão final. Depois de concedida, a autorização habilita a trabalhar em qualquer ocupação e em todo o território, sem papel extra. Peça a TIE em 1 mês.
Renovação (se a autorização for mais curta que 5 anos): EX-24 de novo, nos 2 meses anteriores ao vencimento ou nos 3 meses seguintes.
Pode (nos dois casos acima, depois de concedido): viver com o familiar, trabalhar quando a autorização habilitar, e circular pelos países do espaço Schengen nas regras de residente.
Não pode: entrar como turista e assumir que o casamento “já vale como residência”. O direito de viver com o familiar existe; o cartão não sai sozinho. Se o pedido atrasar, você fica um tempo sem documento que prove a situação legal — salvo o resguardo do EX-19 ou a habilitação provisória do EX-24, quando couber.
3. Reagrupação em regime geral
Para familiar de estrangeiro residente (não cidadão da União Europeia). Folha: resumo 8 do Ministério (abre em nova aba) (Real Decreto 1155/2024 (abre em nova aba), arts. 65 a 68). O residente (reagrupante) pede na Espanha com o formulário EX-02 (abre em nova aba).
Regra geral: o reagrupante já mora na Espanha há pelo menos 1 ano e pediu autorização para ficar mais um. Exceções na folha 8 (larga duración e alguns casos de larga duración-UE). Quem entra: cônjuge ou pareja (registrada ou estável com 12 meses, ou filho em comum); filhos menores de 18 ou maiores que precisem de apoio; ascendentes de primeiro grau maiores de 65, a cargo, com motivo justificado (humanitário pode baixar a idade).
O reagrupante prova renda estável, moradia adequada e seguro para a família. Renda de referência na folha: 150% do IPREM ao mês para duas pessoas e +50% do IPREM por cada membro a mais. O IPREM mensal vigente na Lei 31/2022 (abre em nova aba) (disposição adicional 90ª, prorrogada) é 600 €. Isso dá 900 €/mês para o casal e +300 € por pessoa extra — a folha 8 descreve reduções quando há menores. Moradia: informe de adecuación de vivienda da comunidade autónoma ou do ayuntamiento (prefeitura), com no máximo 6 meses. Se a administração não emitir em 1 mês, dá para substituir com contrato, número de quartos e o protocolo do pedido do informe.
Documentos típicos do reagrupante: passaporte e TIE, contrato e holerites dos últimos 6 meses (ou IRPF / atividade de autónomo), o informe da casa, seguro, declaração de que não mora outro cônjuge na Espanha. Taxa: modelo 790 código 052 (abre em nova aba), epígrafe 2.1.2, em 10 dias úteis. Protocolo presencial na Oficina de Extranjería ou por Mercurio. Decisão em 2 meses. Silêncio = indeferimento.
Só depois da concessão o familiar pede o visto no consulado, em dois meses. Leva passaporte com pelo menos 4 meses de validade, antecedentes (maiores de idade, últimos 5 anos), atestado médico, vínculo original e dependência quando pedirem. O consulado tem 1 mês para o visto; recolha em 1 mês; entrada em 1 mês; TIE em 1 mês após entrar. Cônjuge, união estável e filhos em idade laboral já saem habilitados a trabalhar por conta alheia ou própria, em qualquer ocupação, sem trâmite extra. A autorização do familiar dura o mesmo que a do reagrupante na data da entrada, com mínimo de 1 ano.
Estudos (autorização de estadia)
O que é: autorização de estadia para formação acima de 90 dias — não é residência para todos os efeitos. Para quem já tem carta de admissão de centro autorizado. Não é “vou estudar espanhol uns meses e trabalho full-time”.
Folha: estancia por estudios (abre em nova aba) (autorização de estudos, folha 1). Instruções do consulado (exemplo São Paulo): visto de estudos (abre em nova aba).
Peça o visto com pelo menos dois meses de folga antes do início do curso (a folha 1 trata isso como regra; o consulado de São Paulo lembra que o expediente passa por outras autoridades). Leve impresso de visto nacional, foto, passaporte válido por toda a estadia, carta de admissão de centro autorizado em regime de tempo integral (e comprovante de matrícula paga), renda, seguro e — se a estadia passar de 180 dias — antecedentes dos últimos 5 anos e atestado médico (Regulamento Sanitário Internacional de 2005).
Renda: 100% do IPREM ao mês para o titular (600 € com o IPREM da Lei 31/2022 (abre em nova aba)); +75% no primeiro familiar e +50% em cada seguinte. Se o alojamento já estiver pago pelo período inteiro, essa quantia cai. O valor da matrícula não conta como renda. Familiar de estudante (cônjuge, união, filhos) pode pedir visto junto, mas não pode trabalhar.
Prazo legal de decisão no consulado: 1 mês (pode alongar se pedirem entrevista). Recolha em 2 meses. Acompanhe em sutramiteconsular.maec.es (abre em nova aba).
Já em situação regular na Espanha, estudos superiores podem protocolar a autorização com o EX-00 (abre em nova aba) na Oficina de Extranjería ou por Mercurio, também com dois meses de antecedência. Decisão: 2 meses.
Em estudos superiores, a autorização dura o curso inteiro (não só o primeiro ano). Em ensino secundário pós-obrigatório, dura o curso com teto de 1 ano. A vigência começa 1 mês antes do curso e vai até 15 dias depois. Se passar de um ano, o centro precisa comprovar matrícula no início de cada curso.
Pode: estudar; em estudos superiores, trabalhar com carteira ou por conta própria sem autorização extra, se for compatível com o curso e no máximo 30 horas semanais. Estágio previsto no plano de estudos não pede outro papel. Fonte: resumo 4 bis do Ministério (abre em nova aba). Voluntariado, mobilidade ou curso que não seja estudo superior pode exigir autorização expressa (o 4 bis fala em EX-00 nesses casos).
Não pode: transformar o visto de estudos em emprego de jornada completa. Estourar as 30 horas pode cancelar a autorização. Autorização de estudos não é residência para todos os efeitos (nacionalidade, alguns convênios). Depois do título há via de passagem a residência e trabalho: folha 58 (abre em nova aba).
Se a autorização passar de 180 dias, tire a TIE no primeiro mês. Abaixo disso, o visto pode valer sozinho. Em São Paulo, visto de estudos acima de 6 meses vale 90 dias de entrada: a TIE é o documento que segura o resto do curso.
Trabalho: conta alheia e conta própria
Conta alheia (contrato com empresa espanhola)
O que é: residir e trabalhar com carteira para uma empresa espanhola. Para quem já tem empregador disposto a protocolar. Não é “chego de turista e procuro vaga”.
Quem puxa o processo é a empresa, na imigração (formulário EX-03 (abre em nova aba)), não você “chegando com currículo”. Folha: autorização inicial de residência e trabalho por conta alheia (abre em nova aba) (folha 12).
A contratação só anda se a situação nacional de emprego permitir: ocupação no catálogo de difícil cobertura do SEPE (abre em nova aba), oferta gerida no serviço público, acordo internacional (a folha cita Chile e Peru) ou um dos casos do art. 40 da Lei Orgânica 4/2000. O contrato precisa garantir atividade contínua e, em meio período, remuneração pelo menos igual ao SMI de jornada completa em cômputo anual.
Taxas na folha 12: 790-052 (abre em nova aba) epígrafe 2.1.3 (você) e, se a autorização tiver 6 meses ou mais, 790-062 (abre em nova aba) epígrafe 3.2.1 (a empresa). Protocolo por Mercurio. Decisão em 3 meses. Silêncio = indeferimento.
Concedida a autorização, você tem 1 mês (contado da notificação à empresa) para pedir o visto de trabajo por cuenta ajena (abre em nova aba) no consulado. Leve impresso nacional, foto, passaporte (São Paulo pede 4 meses de validade, ou o contrato inteiro se for temporário), a autorização assinada pela empresa, o contrato carimbado pela Extranjería, antecedentes de 5 anos, atestado médico e a taxa de visto. Decisão do consulado: 1 mês. Recolha: 1 mês. Entre nos 3 meses de validade do visto.
O visto de contrato de 1 ano vale 90 dias de entrada. Dê alta na Segurança Social antes do primeiro dia de trabalho, em até 3 meses após entrar. A TIE pede-se em 1 mês depois dessa alta — não no dia do desembarque. Contrato sazonal curto pode dispensar TIE: o próprio visto cobre o período. Há vias paralelas na UGE para altamente qualificado (abre em nova aba) (art. 71 da Lei 14/2013) e transferência dentro da mesma empresa.
A autorização inicial também permite conta própria se a atividade principal continuar sendo a carteira. O contrário (só faturar, sem o emprego autorizado) não.
Pode: trabalhar para aquele empregador nas condições autorizadas; residir; depois renovar ou modificar. O tipo de contrato e o holerite estão no guia de trabalho e contrato.
Não pode: começar a trabalhar no dia em que o departamento de pessoal “já mandou o contrato” se a autorização ou o visto ainda não saiu. Trabalho irregular queima o processo. Empresa espanhola de verdade não cobra do candidato para “liberar o visto”.
Conta própria (autónomo / negócio)
O que é: residir e faturar por conta própria na Espanha (autónomo, parecido com o MEI, mas com alta na previdência e na Receita). Para quem tem plano, investimento e licenças da atividade. Não é nômade (cliente principal fora) e não é turismo.
Visto de trabajo por cuenta propia (abre em nova aba). Folha: autorização inicial por conta própria (abre em nova aba) (folha 14). Você protocola pessoalmente no consulado o EX-07 (abre em nova aba) (dois exemplares), o plano, o investimento, a qualificação e as licenças da atividade. O consulado encaminha à Extranjería. Decisão em 3 meses. Silêncio = indeferimento.
Taxas na folha 14: 790-052 (residência) e 790-062 (trabalho, se a autorização tiver 6 meses ou mais). O consulado de São Paulo isenta nacionais ibero-americanos da taxa de trabalho por conta própria — confirme o epígrafe e a isenção na ficha do seu posto. A taxa do visto (em São Paulo, 80 €) é outra.
Concedida a autorização, você tem 1 mês para pedir o visto nacional: passaporte com 4 meses de validade, antecedentes de 5 anos, atestado médico, prova de residência na demarcação. Recolha em 1 mês. O visto vale 90 dias. Depois de chegar, faça a alta na previdência (Segurança Social / RETA) e na Receita (Hacienda) em até 3 meses e antes da primeira fatura. A TIE pede-se em 1 mês após a alta. A autorização inicial dura 1 ano e, nesta via, limita-se a uma comunidade autónoma e a um setor.
Pode: viver na Espanha e trabalhar por conta própria nas condições autorizadas; depois renovar ou mudar de via se cumprir os requisitos.
Não pode: faturar como autónomo sem essa autorização, nem usar o checklist de autónomo para “regularizar” um visto que não permite conta própria. O checklist só entra depois da autorização, não o contrário. Alta e certificado digital estão no guia de impostos.
Não lucrativa (residencia no lucrativa)
O que é: residir sem trabalhar — nem remoto, nem bico. Para quem comprova renda própria no consulado. Não é turismo de 90 dias e não vira nômade “depois que eu chegar”.
Pede-se no consulado, pessoalmente. Folha: autorização inicial não lucrativa (abre em nova aba) (folha 6). Ficha de exemplo: visto em São Paulo (abre em nova aba).
Impressos: visto nacional e EX-01 (abre em nova aba). Leve passaporte com 1 ano de validade e duas páginas em branco, renda, seguro com seguradora autorizada a operar na Espanha, antecedentes dos últimos 5 anos, atestado médico e prova de residência na demarcação. Familiares (cônjuge, união, filhos e ascendentes a cargo) pedem o mesmo pacote + vínculo apostilado.
Renda: 400% do IPREM ao mês para o titular e +100% por familiar. Com o IPREM mensal de 600 € da Lei 31/2022 (abre em nova aba) (prorrogada), isso dá 2.400 €/mês ou 28.800 € no primeiro ano para uma pessoa, e +7.200 € por familiar. O consulado quer dinheiro disponível (saldo, rendimento periódico comprovado), não só “patrimônio no papel”. Taxa de autorização: 790-052 (abre em nova aba) epígrafe 2.1.1, em 10 dias úteis, mais a taxa de visto.
A folha 6 fala em 1 mês de decisão depois que o consulado encaminha o expediente; São Paulo publica prazo legal de 3 meses a partir do protocolo. Silêncio = indeferimento. Recolha o visto em 1 mês. Entre na validade do visto (no máximo 3 meses; em São Paulo o visto sai com 90 dias). A autorização inicial dura 1 ano a contar da entrada. TIE no primeiro mês. Seguro: o mesmo tipo do guia de seguro saúde — não o de 30.000 € de turista.
Pode: residir, circular, estudar por hobby. O tempo conta para nacionalidade por residência se os demais requisitos forem cumpridos.
Depois do visto: número de estrangeiro, cadastro na prefeitura e cartão
O visto é a porta. Na Espanha ainda faltam:
- NIE (Número de Identidad de Extranjero) — o número fiscal de estrangeiro. Muitas autorizações já o trazem; no nômade ele se pede com o visto. Se não, pede-se com o formulário EX-15 (abre em nova aba) e a taxa da polícia 790-012 (abre em nova aba).
- Empadronamiento — cadastro de morador na prefeitura, no endereço real. Sem isso travam saúde, desconto de transporte em algumas cidades e vários bancos.
- TIE (Tarjeta de Identidad de Extranjero) — o cartão físico, se a autorização passar de 6 meses (na prática, muitas vias pedem no primeiro mês). Formulário EX-17 (abre em nova aba) e agendamento da coleta de impressões digitais na polícia. Exceção frequente: o visto de nômade de 1 ano já prova residência; a TIE nessa fase é opcional.
O agendamento (cita previa) só no portal oficial do Estado (abre em nova aba). É gratuito. Não pague “gestor de horário”: o mercado paralelo cobra 50–100 € (às vezes 200–500 €) por um encaixe e pede foto do passaporte. Se não houver vaga, tente de manhã e à noite e guarde prints datados. O guia de NIE lista o que levar, o tamanho da foto (32×26 mm) e como pagar a taxa 790-012.
Checklists: número de estrangeiro (NIE), cadastro na prefeitura, cartão de residência (TIE). Guia: NIE e primeiros trâmites.
Ordem prática antes de comprar a passagem
- Escreva em uma frase o motivo real da ida (trabalho remoto, estudos, familiar, contrato espanhol, renda própria).
- Confira a folha oficial desse motivo no site do Ministério (endereços
.gob.esna lista abaixo) e o impresso certo (EX-01, EX-02, EX-03, EX-07, EX-19, EX-24). - Marque o consulado certo e reserve o tempo de análise que ele indica — em estudos, por exemplo, peça com pelo menos dois meses de folga.
- Apostile e traduza o que o consulado listar no checklist vigente.
- Só então compre passagem e aluguel longo.
Fontes oficiais
- Portal de Migraciones (Inclusión) (abre em nova aba)
- Regulamento de extranjería (RD 1155/2024) (abre em nova aba)
- Formulários oficiais de imigração (EX-00, EX-01, EX-02, EX-03, EX-07, EX-19, EX-24…) (abre em nova aba)
- Folha 18 — familiar de espanhol (EX-24) (abre em nova aba)
- Folha 62 — cartão de familiar da União (EX-19) (abre em nova aba)
- Folha 8 — reagrupação familiar (EX-02) (abre em nova aba)
- Folha 1 — estadia por estudos (abre em nova aba)
- Folha 12 — residência e trabalho por conta alheia (EX-03) (abre em nova aba)
- Folha 14 — residência e trabalho por conta própria (EX-07) (abre em nova aba)
- Folha 6 — residência não lucrativa (EX-01) (abre em nova aba)
- Agendamento oficial (polícia e imigração) (abre em nova aba)
- Taxa 790 código 052 (autorizações de residência) (abre em nova aba)
- UGE — nômades digitais (Unidade de Grandes Empresas) (abre em nova aba)
- UGE — profissionais altamente qualificados (abre em nova aba)
- Visto nômade (portal único ONE) (abre em nova aba)
- Residência nômade (UGE / ONE) (abre em nova aba)
- Visto de teletrabajo (consulado em São Paulo) (abre em nova aba)
- Visto de estudos (consulado em São Paulo) (abre em nova aba)
- Visto de trabalho por conta alheia (consulado em São Paulo) (abre em nova aba)
- Visto de trabalho por conta própria (consulado em São Paulo) (abre em nova aba)
- Visto de residência não lucrativa (consulado em São Paulo) (abre em nova aba)
- Acompanhamento do expediente consular (abre em nova aba)
- Consulados da Espanha no Brasil (abre em nova aba)
- Entrada de estrangeiros (aeroportos AENA) (abre em nova aba)
- Taxa da polícia 790 código 012 (abre em nova aba)
- SMI 2026 no diário oficial (abre em nova aba)
- IPREM (Lei 31/2022, disposição adicional 90ª) (abre em nova aba)
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Dúvidas reais, relatos atualizados e gente no mesmo caminho que você.